Aquele lugar... Era como se não existisse mais nada no mundo.
Não havia carros, nem luz... Estava completamente vazio. Um escuro, um breu.
Mas, em algum momento a escuridão deixou de ser paranóica e se tornou companheira. Compartilhou medo e esperança, a esperança de uma ausente sensação de liberdade.
Liberdade para um novo ser... Alguém que está oculto dentro de um mundo sem cor; um local sem portas e com uma única janela, que insiste em estar fechada.
Limitando-se a andar, vagar pelas ruas desertas... Percorrer os caminhos que estão escondidos e encontrar forças pra se manter vivo na ausência de uma certeza. Saber onde os meios se tornam fim e o fim se torna começo, é o seu maior e melhor passatempo. Um alguém experiente em desvendar mistérios.
Afinal, sua vida é um mistério!
Não há certezas da verdade, há apenas um ser... Uma vida que busca motivos para entender o que acontece no seu dia-a-dia. Os homens parecem esquecer o que a vida representa. Trancam sensações, sentimentos, se forjam de um alguém a quem nunca gostaria de ser... E acabam exibindo faces de um alguém desconhecido e intragável.
Se diante de tal feito, “acreditam” estar felizes. Então, que assim seja feita a vossa vontade. Que uma vida seja esquecida e continue a caminhar no escuro.
Quantos não se enganaram? Quantos já morreram pra que um novo amanhã fosse moldado? Não se sabe.
Não há coragem para desprender o que está guardado, escondido dos olhos julgadores, do mundo questionador.
O ser é passível de erros; mas, é julgado a partir do momento em que os comete. Será então, que há a compaixão? Porque usar palavras que são ditas e esquecidas? É como pregar uma lição de vida e não exercer aquilo que é dito. Por isso alguns, preferem julgar a ter que conceder o perdão.
E perdoar significa dar início a um novo ser, conceder uma nova vida.
Cada um sabe os porquês de uma ausência, sabe os motivos para um ser aprisionado... Não há fuga, não há esperança, existe apenas uma janela e uma ausência de cor. Uma janela que sempre vai estar fechada, uma cor que nunca vai possuir croma e um ser... Um ser que vai continuar a vagar, com anseios, com dúvidas, com vontades de ganhar a vida e realizar seus desejos impossíveis.
E assim como disse Platão: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”
Ivy Saliba.

Um comentário:
Eu estou no escuro.
Acho que sou essa pessoa que descreveu, com medo de viver, de ver a luz.
Eu achei o texto lindo, complexo e tão profundo.
É com se fosse eu, obscuro.
Continue sempre assim.
Te amo.
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