"Combinamos que não era amor, e realmente não é. Mas, esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque, quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. [...]
[...]Não é amor, não. É mais que isso, é mais que amor. Porque, pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque, pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque, pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não-amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não-amor.
E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo ''bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato''. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque, no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: NÃO EXISTE NINGUÉM AQUI DENTRO.
Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para fingir pro cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita."
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não-amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não-amor.
E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo ''bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato''. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque, no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: NÃO EXISTE NINGUÉM AQUI DENTRO.
Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para fingir pro cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita."
~ O contrato.
Texto de Tati Bernardi retirado do livro ''Tô com Vontade de uma Coisa que eu não sei o que é''

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